Apresentação

 socrates-filosofo42.jpgDiferente de outros assuntos e atividades, a cultura religiosa nunca desenvolveu uma disciplina crítica de maneira organizada e sistemática, tal como a crítica literária, a crítica política, a crítica de arte, a crítica de cinema e de teatro, a crítica econômica, etc. Por isso nunca ouvimos falar da existência de um crítico religioso de ofício, pois não existe esta profissão, em razão da inexistência de uma disciplina correspondente, tal como existem nos assuntos acima. O máximo que encontramos de crítica religiosa provém das contestações e discussões dos ateístas ou da rivalidade entre religiosos e entre intérpretes. Sendo assim, nunca existiu um crítico religioso de formação, tal como alguém que se gradua para se tornar, por exemplo, um crítico social ou político treinado academicamente para tal tarefa. Por conseguinte, a crítica sobre a veracidade e a conveniência da religião, pelos céticos, sempre aconteceu de maneira desorganizada e assistemática.

De uma maneira geral, é possível perceber, nos últimos séculos, uma decadência da influência da cultura religiosa na sociedade e na vida dos indivíduos, ao ponto de, atualmente, testemunharmos um modo de vida secular nunca experimentado antes na história. Em outras palavras, vivemos um grau de secularismo inédito. Exceto em uns poucos países, a religião não rege mais a vida social e política, sua influência se restringiu tão somente à vida privada dos indivíduos, como uma opção pessoal.

Diante desta derrota cultural, a religião passou a reagir, de modo a treinar religiosos intelectuais e teólogos em cursos de Teologia nas universidades, a fim de defender, aproveitando-se da monumental erudição atual, o ponto de vista religioso e apontar os defeitos da cultura secular e da Ciência. Assim, é possível encontrar religiosos com grande conhecimento nos assuntos seculares e na Ciência capazes de detectar as suas falhas e omissões, daí com grande capacidade de criticar. De modo que, muitos religiosos e teólogos hoje se ocupam minuciosamente em procurar incertezas e omissões no conhecimento científico e na cultura secular, e pelo fato de alguns deles terem formação acadêmica, conseguem realizar esta tarefa com considerável exito. Enquanto que, por outro lado, não existe um treinamento acadêmico de secularistas e de ateístas em assuntos religiosos para prepará-los para elaborar críticas da religião com conhecimento aprofundado, o que coloca os ateístas em desvantagem no debate, mesmo estando estes últimos do lado da cultura secular que se tornou dominante. Sendo assim, é frequente a ocorrência de erros nas críticas dos céticos, os quais são facilmente apontados pelos religiosos. O defeito fundamental é que a maioria dos céticos e dos ateístas não sabem sequer explicar o que entendem por religião, e quando tentam esclarecer, são logo contestados pelos oponentes, em razão da precariedade dos conhecimentos.

Então, desprovidos de conhecimentos aprofundados e de experiência de convívio com o meio religioso, a maioria dos ateístas atuais se volta para as críticas dos aspectos e dos fatos mais baixos do mundo religioso, ou seja, a banda podre da religião, sendo que, o que criticam, comumente, está presente ou acontece em quase todos os outros seguimentos culturais, pois trata-se mais de eventuais desvios de conduta ou de excepcionais falhas de interpretação do que de inerência religiosa, ou seja, são defeitos e problemas que são comuns em muitas outras atividades da vida humana.

Em linhas gerais, a ideia destas postagens surgiu a fim de informar, aos leitores da língua portuguesa, os estudos imparciais realizados por acadêmicos estrangeiros e de analisar criticamente as ideias e as práticas religiosas por trás da pregação, da persuasão, da catequese e da propaganda transmitidas pelas religiões. Sendo assim, serão aproveitados os estudos acadêmicos publicados pelas universidades norte americanas e europeias, quando as conclusões não forem simpaticamente deferentes, uma vez que estes cursos universitários de religião são destinados, na maioria dos casos, para religiosos que pretendem aprofundar o estudo da sua ou de outras religiões, portanto estão repletos de interpretações condescendentes para não desapontar os alunos.

Ademais, a publicação destes estudos não aconteceu com a intenção heroica e ousada de solucionar o debate entre céticos e adeptos, visto que esta é uma tarefa que deverá ser realizada por muitos pesquisadores durante anos. Longe disto, mas de trazer uma amostra, para os leitores da língua portuguesa, de como as religiões em geral podem ser criticadas em seus temas e atos mais fundamentais e estimados pelos seus seguidores, sem a necessidade de recorrer a sua banda podre, a partir de um conhecimento aprofundado de suas doutrinas e práticas, por alguém com longos anos de pesquisas e de convívio no meio religioso para, então, demonstrar como a religião, mesmo em seus pontos mais sagrados e estimados por seus adeptos, se transformou, diante do progresso da cultura secular e das instituições laicas, numa cultura inútil para a vida atual nas sociedades que acompanharam o progresso cultural e, consequentemente, desenvolveram satisfatória qualidade de vida. Bem como, revelar o que é a religião despida da pregação e da propaganda, as quais comumente revestem a perspectiva confessional. 



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Um comentário sobre “Apresentação

  1. Também acho que, apesar de me declarar ateu, os ateus que conheço tem pouco conhecimento da Bíblia para contestar os crentes. Maioria zomba da fé destes. Claro que desta forma jamais “converterão” alguém ao ateísmo, Para preencher esta lacuna, seguindo sua mesma linha de raciocínio, acabo de escrever um livro, ainda sem editor, entitulado O Labirinto de Jesus ( O Maior Enigma da História ) que gostaria de lho presentear. Para isto peço-lhe seu endereço. Abraços.

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