Deus no Congresso Nacional

por Octavio da Cunha Botelho

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Eduardo Cunha (PMDB-RJ): “Que deus tenha misericórdia desta nação”.

A sessão de votação da admissibilidade do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff ontem (17/04/16) foi capaz de expor, para milhões de brasileiros, a numerosa quantidade de parlamentares que são cristãos protestantes, católicos, espíritas e maçons. Ou seja, a sessão foi uma vitrine de como o nosso Congresso está repleto de deputados religiosos, eleitos pelos votos dos fieis das igrejas e dos membros das lojas maçônicas. Consequentemente, a palavra deus foi pronunciada incontáveis vezes, durante a fala de cada deputado no momento em que precedia o pronunciamento do voto. Um deputado maçom agradeceu ao Grande Arquiteto do Universo por ter lhe concedido a oportunidade de estar presente naquela sessão, durante o seu discurso antes da sessão de votação. O relator do Processo de Admissibilidade, o deputado Jovair Arantes (PTB-GO), incluiu uma frase do médium Chico Xavier no Relatório. O polêmico deputado e pastor Marco Feliciano disse, no momento da sua votação, que o PT é um “partido das trevas”. Alguns deputados cristãos evocavam deus com tanta eloquência que, às vezes, as suas falas, que antecediam ao pronunciamento do voto, faziam parecer que estavam mais em um conclave religioso do que em uma sessão parlamentar. Um deputado contrário ao impeachment chegou a reclamar: ”fala-se tanto de deus aqui, mas…).

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Vinde a mim os eleitores; deputados em momento de oração na Câmara.

O número de parlamentares cristãos é tão alto atualmente que até existe uma Frente Parlamentar Evangélica, liderada pelo pastor e deputado João Campos (PSDB-GO), aquele que é autor da PEC 99, um Projeto de Emenda à Constituição que propõe a inclusão das entidades religiosas na lista das instituições com direito à ação direta de inconstitucionalidade ou ação declaratória de constitucionalidade, isto é, o direito das religiões de alterar a interpretação da Constituição Federal. Se aprovada, esta emenda aumentará consideravelmente os poderes das igrejas no Brasil. Já existem partidos eminentemente religiosos, o já conhecido Partido Social Cristão (PSC), fundado em 1990 e formado por cristãos protestantes, pentecostais e neopentecostais, e mais recentemente foi fundado o Partido Humanista da Solidariedade (PHS), formado por cristãos católicos.

Agora, a mais curiosa de todas foi a frase pronunciada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), membro da igreja Assembleia de Deus, logo antes de emitir o seu voto: “Que deus tenha misericórdia desta nação”. Ora, só se tem misericórdia de quem sofre, então Cunha quis dizer que a nação brasileira é uma nação sofrida, portanto precisa de misericórdia. Para saber se esta situação aumentará ou diminuirá no futuro é só aplicar o seguinte raciocínio. Se for verdade que quanto mais se sofre, mais se precisa de deus, então quanto maior o sofrimento da população brasileira, maior será o número de parlamentares religiosos eleitos ou vice-versa.

 

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Um comentário sobre “Deus no Congresso Nacional

  1. a hipocrisia esta descarada demais e como é feia. Esse bando de parasitas que infectaram o congresso nunca se mostrou com tanta desfaçatez e canalhice. Acima de defender a presidencia, devemos defender um processo democratico ainda em fase de maturação no pais e correndo um serio risco de perder-se em mãos ambiciosas, dissimuladas e mentirosas.

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