Arábia Saudita, uma Signatária de Mentirinha

por Octavio da Cunha Botelho

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Neste Sábado (12/12/2015) as mulheres sauditas puderam votar pela primeira vez, o país era o único que ainda mantinha esta proibição.

           Neste último Sábado (12/12/2015) aconteceu na Arábia Saudita uma eleição parlamentar cujas mulheres puderam se candidatar e votar pela primeira vez. Até então, as mulheres eram impedidas de tais direitos naquele país, que segue uma rigorosa lei islâmica, portanto, até então, era o único no mundo que ainda mantinha estas proibições. A Arábia Saudita é o reduto do Wahhabismo, conhecido também como Movimento Wahhabi, uma vertente fundamentalista do Islamismo fundada por Muhammad Ibn Abd al-Wahhab (1703-1792), um reformador da tradição islâmica, no século XVIII e.c. que propôs um retorno aos princípios fundamentais do Islamismo. Cerca de seis mil candidatos homens competiram, enquanto apenas novecentas mulheres se candidataram.

            Bem, com base no conhecimento que temos da discriminação das mulheres nos países de forte influência muçulmana, não é surpresa que pudesse existir pelo menos um país cujas mulheres ainda eram proibidas de votar e de se candidatarem. Agora, o que é surpresa mesmo é o fato de sabermos que a Arábia Saudita é signatária da Convenção sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres (1979) da ONU. Portanto, durante estes trinta e seis anos, ela permaneceu como uma signatária, mas só agora ela conseguiu cumprir algumas orientações da Convenção, em particular, as instruções do seguinte artigo:

Artigo 7º – Os Estados-partes tomarão as medidas apropriadas para eliminar a discriminação contra a mulher na vida política e pública do país e, em particular, garantirão, em igualdade de condições com os homens o direito a:

1 – votar em todas as eleições e referendos públicos e ser elegível para todos os órgãos cujos membros sejam objeto de eleições públicas.

2 – participar na formulação de políticas governamentais e na execução destas, e ocupar cargos públicos e exercer todas as funções públicas em todos os planos governamentais.

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Surpreendentemente, a Arábia Saudita é signatária da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres (1979) da ONU

            Diante deste exemplo, fica a pergunta, qual a razão de um país se tornar signatário de uma convenção da ONU, sendo que não é capaz de cumprir as orientações tão cedo?

            Observadores internacionais avaliam esta primeira eleição, com a participação das mulheres na Arábia Saudita, como uma tímida abertura, em função da imensa discriminação e da opressiva subjugação imposta pela lei islâmica às mulheres. Muitos consideram aquele país como um dos piores para a mulher viver e trabalhar.

O texto completo da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres (1979) da ONU pode ser encontrado em:

http://www.unicef.org/brazil/pt/resources_10233.htm  

 

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