O Aumento do Interesse pelo Estudo do Secularismo e do Ateísmo no Meio Acadêmico

por Octavio da Cunha Botelho

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O estudo do secularismo e do ateísmo recebeu um forte impulso no meio acadêmico a partir desta década.

            Em um resumo de oito artigos, recém publicado na revista Science, Religion & Culture, volume 02, Issue 02, June 2015, com o título de An Introduction to Atheism, Secularity and Science, de autoria de Thomas J. Coleman III, Ralph W. Hook Jr. e John R. Shook, os dois primeiros do Departamento de Psicologia da University of Tennessee e o último do Departamento de Filosofia da University at Buffalo, Estado de New York, EUA, é possível perceber o aumento da importância concedida ao estudo do ateísmo, do secularismo e da descrença no meio acadêmico, bem como a explosão no número de publicações sobre estes temas, sobretudo a partir do início da década atual. Enquanto “buscar por dados acadêmicos para estudos científicos sobre estes tópicos resultava em pouco mais que desapontamento na época da virada do milênio. Atualmente, conduzir tal busca revela uma abundante porção de tinta despendida sobre secularidade em geral e sobre descrença especificadamente. Na verdade, as ciências não passam mais por cima sobre o que se tornou uma considerável porção da população mundial” (p. 01). Pois, crescente é o número de acadêmicos se dedicando ou se especializando nos estudos do ateísmo e da secularidade no mundo. Por isso, agora ouvimos falar de Psicologia do Ateísmo, de Sociologia do Ateísmo, etc. Enfim, foi-se o tempo em que o autor de um livro ou artigo sobre ateísmo ou secularismo iniciava sua obra lamentando a falta de material acadêmico disponível.

            Atualmente, as pesquisas sobre os assuntos acima cobrem diferentes áreas tais como: Psicologia, Ciência Cognitiva, Sociologia, Estudos Religiosos, Filosofia, Antropologia, História e outras. O aprofundamento e o detalhismo chegaram ao ponto de “dentro de cada uma destas disciplinas existir múltiplas estruturas competidoras, conceitualizações específicas de campo e rixas interdisciplinares, quanto ao que secularismo é precisamente, e como estudá-lo” (p. 01). Em consequência disto, as definições de ateísmo e de secularismo se multiplicaram, embora “exista um cacho ou uma semelhança de família entre os autores” (p. 02). De modo que, definir o ateísmo poderá ser tão difícil quanto tentar definir a religião. O aprofundamento atual é tanto que já existe até uma “Escala Não-Espiritual-Não-Religiosa” (NonReligious-NonSpiritual Scale – NRNSS). Ou seja, uma medida para avaliar o grau de não-espiritualidade e de não-religiosidade dos indivíduos, isto é, medidas de escala que abordam o ateu com o mesmo nível de avaliação realizado pelos religiosos para avaliar o grau de religiosidade dos próprios religiosos. Nas palavras dos autores: “o NRNSS é uma medida psicometricamente consistente do quão religioso (vs. não-religioso) e espiritual (vs. não-espiritual) os indivíduos se consideram ser, que pode ser administrada aos indivíduos independentemente quer eles se auto considerem como religiosos, espirituais ou nenhum deles” (p. 03).

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Diferente do que muitos religiosos pensam, o ateísmo cresce em muitas partes do mundo.

            Outro ponto para o qual o artigo chama a nossa atenção é para o aumento no número de grupos de ateístas e de humanistas seculares nos últimos anos (p. 04). Aqueles que utilizam a internet desde a sua criação percebem a raridade que era encontrar, naqueles primeiros anos, um grupo ou associação de ateístas com páginas na web. Agora, a situação é muito diferente, pois o número é incontável. Os autores do artigo destacam este crescimento nos EUA (p. 04). Apesar da alegação de muitos religiosos, sobretudo dos pastores, de que a religiosidade está crescendo no mundo, pois é um vício persistente do religioso pensar que o que está acontecendo ao seu redor está acontecendo também no mundo todo, os autores do artigo destacam o crescimento do ateísmo e do secularismo no mundo. Eles citam uma estimativa atual que aponta que, se excluída ou incluída a população da China, as porcentagens de indivíduos não-religiosos no mundo todo são de 26% e 44% respectivamente. Assustador é o crescimento dos não-religiosos nos EUA, pois entre 2007 e 2014 o aumento foi de 6%, alcançando 22,8% da população norte americana, enquanto a porcentagem daqueles que se declaram cristãos caiu 8%, atualmente está em 70,6%, ou seja, o número de não-religiosos cresce mais do que o número de cristãos nos EUA. Usando dados do General Social Survey, entre 1973 e 2012, a previsão é de que a porcentagem de norte americanos, que se declaram não-religiosos, será de 26% a 47% em 2042, se persistir este ritmo de crescimento (p. 06).

Para ler o artigo An Introduction to Atheism, Secularity and Science acesse:

https://www.academia.edu/14456842/An_Introduction_to_Atheism_Secularity_and_Science

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