O Papa Francisco Reconhece as Teorias do Big Bang e da Evolução

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O papa Francisco durante o discurso na Pontificia Academia de Ciências no Vaticano: “A evolução não contrasta com a ideia de criação”.

            Os jornais de diferentes partes do mundo noticiaram ontem, o que pareceu para muitos, uma surpreendente declaração do papa Francisco, durante uma cerimônia de inauguração de um busto do seu antecessor, o papa Bento XVI, na Pontífícia Academia de Ciências no Vaticano, acorrida nesta Segunda 28/10/14. A surpresa está em um trecho do seu discurso, onde ele declarou que “o Big Bang, que é designado como a origem do mundo, não contradiz o ato divino da criação. Em vez disso, exige-o. A evolução da natureza não contrasta com a ideia de criação, pois a evolução pressupõe a criação de seres que evoluem”. Ao afirmar isto, ele demonstrou compartilhar a ideia, defendida pelos modernos cristãos evolucionistas, de que “deus é o criador da evolução”, uma nova ideia em voga entre os cristãos nos últimos anos.

            Para alguns cristãos, entretanto, esta recente declaração do papa repercutiu em seus ouvidos como uma grande surpresa, já para os mais conservadores fortemente apegados ao Criacionismo, como uma grande explosão (Big Bang). Estritamente falando, a declaração não é tão surpreendente assim, visto que é crescente o número de cristãos atuais que aceitam a Teoria do Big Bang e reconhecem o fenômeno da Evolução. Menos surpreendente ainda quando lembramos que o primeiro astrônomo a propor uma teoria da expansão universal a partir de um átomo foi o padre belga, Georges Lemaitre (1894-1966), em 1927, hipótese depois desenvolvida pelo astrônomo ucraniano George Gamow, este último depois se instalou nos EUA. Lamaitre a denominou de Hipótese do Átomo Primordial, de modo que o nome Teoria do Big Bang não existia ainda, pois esta denominação sarcástica foi cunhada pelo físico Fred Hoyle, defensor da Teoria do Universo Estacionário, durante um programa de rádio em 1949. Denominação sarcástica porque a palavra “bang”, traduzida geralmente como explosão, é uma gíria derivada das revistas em quadrinhos, as quais se tornaram muito populares na primeira metade do século XX, para reproduzir de maneira gráfica os sons dos impactos, dos golpes ou das explosões ocorrentes durante a narrativa. O significado etimológico é “estrondo”, depois passou a ser utilizado como explosão. A palavra se popularizou tanto na língua inglesa que os filmes de faroeste passaram a serem chamados também de “bang-bang” (bangue-bangue em português), em virtude dos tiroteios.

Lemaitre

O padre belga Georges Lemaitre (1894-1966) foi o primeiro astrônomo a sugerir a hipótese da expansão do universo a partir de um átomo, em 1927.

            Agora, chama a atenção o trecho final da declaração papal acima: “a evolução pressupõe a criação de seres que evoluem”. Bem, se for feito um levantamento dos seres que mais evoluíram na criação, um forte favorito seria o deus das religiões, e no Cristianismo não foi diferente. As concepções sobre deus dos primeiros teólogos cristãos são tão diferentes das atuais, que se tornaram até certo ponto irreconhecíveis. Já existiram até concepções dualistas (um deus e um demiurgo), exemplos: os gnósticos e os cátaros. Se a comparação for estendida para os deuses das mais antigas religiões primitivas e tribais, o processo de evolução do entendimento do que deus é, poderá ser percebido ainda com mais dinâmica e diversidade.

            Por outro lado, os cristãos poderão contestar alegando que deus é imutável e um só, porém suas concepções são diferentes e evolutivas em razão da limitada capacidade humana. Bem, se aconteceram tantas discórdias na sua concepção, a conclusão poderá ser a de que ninguém conseguiu prová-lo, então não é possível dizer que ele é imutável, tampouco que ele realmente existe. Ademais, por trás desta alegação não existe, até hoje, consenso quanto à natureza e à função de deus no mundo e na vida, bem como o seu papel na criação, porque não existe ainda prova incontestável da sua existência, por isso ele permanece, após milhares de anos desde as primeiras concepções, apenas como uma hipótese sujeita a intermináveis controvérsias. Em suma, nunca tivemos prova incontestável da existência de deus, tampouco consenso, o que sempre tivemos foi, a rigor, apenas: concepções de deus.

Então, sendo assim, se deus é um ser em constante evolução, segundo as tantas concepções diferentes, logo pressupõe um criador para si, porque, tal como declarado no discurso do papa que “a evolução pressupõe a criação de seres que evoluem”, então resta saber: quem é o criador de deus?

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