Nota Sobre o Livro “AFINAL, O QUE É RELIGIÃO?”

cover_front_mediumQuando se trata de um assunto que, para muitos não existe controvérsia, mas que, por trás da noção generalizada, é imensamente controvertido, tal como o conceito de religião, a reação do leitor é, lógico, em um primeiro momento, de surpresa. E isto é o que está acontecendo com os leitores de “Afinal, o que é Religião?”, publicado neste último mês de Junho. Conforme as mensagens recebidas, alguns ficaram perplexos ao conhecerem a variedade de definições, o que traz, simultaneamente, o ideia de que nossos conceitos sobre religião precisam ser mais exatamente definidos. Por ser uma controvérsia quase totalmente ignorada pelos autores, uma vez que são poucos os que apontam esta discórdia, pois a maioria, ao falar da religião, vai direto ao assunto, sem primeiro esclarecer ao leitor o que entende por religião, tampouco contrapõe a sua concepção com as de outros autores, a diversidade de conceitos sobre religião então parece um problema inexistente. Desta maneira, o conceito de religião até parece um consenso.
Entretanto, quando percebida a controvérsia, o embaraço é enorme, pois o leitor começa a perceber que, na concepção de um autor, certas tradições, comumente reconhecidas como religiões, podem estar, na visão do leitor, incluídas no rol, enquanto que outras tradições, também comumente reconhecidas como religiões, podem estar excluídas, conforme o entendimento do leitor possa divergir do autor. Logo, é preciso demarcar, pelo menos em linhas gerais, o alcance e a limitação daquilo que pode ser entendido como cultura religiosa, e isto não é uma tarefa fácil. Por exemplo, é comum se ouvir a afirmação de que o Budismo não é religião, mas sim uma filosofia de vida ou um modo de vida espiritual. Tudo depende de como se entende a religião, pois para aqueles, sob forte influencia cristã, pode parecer que as tradições não teístas não são religiões. Outro exemplo, quando ateus e religiosos falam da religião, é possível, quando se reconhece a diversidade conceitual, perceber a diferença do entendimento entre ambos, bem como as diferenças nas ênfases daquilo que é mais essencial ou menos importante na natureza e na concepção de religião, por isso eles raramente se entendem.
Agora, por outro lado, para aqueles que só conheceram o título do livro, portanto não o leram, logo não reconhecem a controvérsia, à primeira vista o tópico do livro poderá parecer uma discussão inútil, pois para eles não existe dúvida quanto à natureza da religião e ao seu conceito. Esta é a ideia que predomina entre quase todos aqueles que se interessam pelo tema da religião, então, por esta razão, o fato de encarar a multiplicidade de definições controvertidas como um problema nunca foi uma preocupação geral, bem como a necessidade de precisar o seu conceito, consequentemente, tampouco um assunto de interesse.

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