Meriam Ibrahim e o Absurdo da Condenação por Apostasia

por Octavio da Cunha Botelho

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A sudanesa Meriam Ibrahim foi condenada à morte, pela Justiça Islâmica do Sudão, por ter casado com um cristão

            Para quem vive em um país com liberdade religiosa, é difícil acreditar que ainda exista lugar neste mundo que condena à morte uma pessoa por apostasia (abandono da religião). Mas, este foi o caso que veio à tona novamente, na semana passada, da sudanesa Meriam Yahia Ibrahim Ishag (nome islâmico: Adraf Al-Hadi Mohammed Abdullah), de 27 anos, inicialmente condenada à morte por enforcamento, em 15/05/14, por ter casado com um cristão (Daniel Wani), em 2011. Perdoada da pena de morte, após forte pressão internacional, ficou presa até 23/06/14, quando foi libertada, para ser presa novamente em 24/06/14, tentando embarcar para os EUA, com a família, no aeroporto de Cartum, Capital do Sudão, com passaporte falso do Sudão do Sul. Ela também foi condenada a 100 chicotadas. A Lei Islâmica (Sharia) considera o casamento de uma muçulmana com alguém de outra religião como um ato de apostasia e a condenação, no Sudão, é a pena de morte, onde está em vigor desde 1980.

            De pai muçulmano, Meriam alega na sua defesa que sempre foi cristã, pois é filha de pai ausente, portanto não cometeu apostasia, uma vez que nunca foi muçulmana. Quando foi presa, em Maio, estava grávida e deu a luz uma menina na prisão, já tinha um filho antes. Ela foi libertada, novamente, nesta última Quinta Feira, 26/06/14. Já o tribunal Islâmico do Sudão entende que ela é muçulmana, então ao se casar com um cristão cometeu o crime de apostasia.

            A Bíblia, na passagem Deuteronômio 13:06-10, prescreve a condenação à morte por apedrejamento para aquele que tentar desviar alguém para o culto de outros deuses desconhecidos: “tentar seduzir-te, dizendo em segredo: Vamos servir outros deuses, deuses desconhecidos de ti e de teus pais (…) tu não lhe cederás no que te dizer, nem o ouvirás. Teu olho não terá compaixão dele, tu não o pouparás e não ocultará o seu crime. Tens, ao contrário, o dever de o matar: serás o primeiro a levantar a mão para o matar, e a levantará em seguida o povo. Tu o apedrejarás até que ele morra…”.

Meriam-Ibrahim

Meriam na prisão com seus dois filhos. Perdoada da condenação à morte após forte pressão internacional.

            No Islamismo, as fontes para a atribuição de crime para a prática de apostasia se encontram no Alcorão e nos Hadiths (Ditos de Maomé – segundos na autoridade canônica após o Alcorão). No Alcorão, a passagem mais clara está na sura 16 verso 106: “Aqueles que rejeitarem deus após acreditar nele e abrirem seus corações para a descrença receberão a ira de deus sobre eles, e uma grande punição os aguarda”. Na coleção de hadiths Sahid Bukhari, o capítulo 84 do volume 09, hadiths (ditos) 53-72, é dedicado aos apóstatas. “Verdadeiramente, juntar-se a outros (não muçulmanos) com Alá é um grande erro na verdade” (Sahih Bukhari, 09:84;53). Estas são as bases canônicas de sustentação para a Lei Islâmica (Sharia) atribuir pena de morte aos apóstatas. Casar-se com alguém de outra religião é crime de apostasia em alguns países onde a Lei Islâmica é rigorosa..

            Bem, se for entendido literalmente, do jeito que está acima, então se um muçulmano tentar converter um judeu, terá de ser apedrejado, se uma muçulmana casar com um judeu, ela terá de ser enforcada. Agora, para completar, só falta aparecer um cristão maluco criando uma lei de condenação à morte por crucificação para uma cristã que se casar com um muçulmano.

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