A Violência Urbana e os Prováveis Homicidas Cristãos

por Octavio da Cunha Botelho

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Vista assim, Maceió parece ser uma cidade pacífica, porém é a 5ª cidade mais violenta do mundo, segundo um levantamento recente.

As pessoas acostumadas a acompanhar os noticiários mais populares da imprensa, naturalmente, imaginam que as cidades mais violentas do mundo são aquelas onde acontecem os atos terroristas mais alarmantes, ou seja, Bagdá no Iraque, Cabul no Afeganistão, Islamabad no Paquistão, Cairo no Egito e Jerusalém em Israel, portanto as cidades dos países com maioria da população muçulmana ou judia. Ou, de maneira bem diferente, podem pensar que as cidades mais violentas no mundo são aquelas nos países com a maior população de pessoas que se declaram “sem religião”. Nada disso, das 50 cidades mais violentas do mundo, 46 estão nos países de maioria cristã, pois a realidade é muito diferente, de acordo com as pesquisas já realizadas. A última foi publicada pela imprensa brasileira nesta Segunda (20/01/14) sobre o levantamento das 50 cidades mais violentas do mundo, feito pela ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Social.

O Brasil, que tinha 14 cidades nesta lista em 2012, subiu para 15 em 2013 e agora subiu mais ainda para 16 cidades no relatório divulgado em 2014, é o país com o maior número de metrópoles violentas. Curioso notar também que, dentre estas 50 cidades mais violentas do mundo, 41 estão na América Latina, 46 no continente americano e apenas 4 cidades restantes no continente africano e no Haiti, portanto nenhuma cidade da Europa, da Ásia ou da Oceania.

Das cidades brasileiras, Maceió é a mais violenta, em 5º lugar no ranking mundial, com 79,8 homicídios anuais por 100 mil habitantes, depois vem Fortaleza, em 7º lugar, com 72,8 homicídios anuais por 100 mil habitantes, em seguida João Pessoa, em 9º lugar, com o índice de 66,9 homicídios. A cidade mais violenta do mundo é San Pedro Sula, em Honduras (país com 97% da população cristã), com o índice de 187,1 homicídios anuais por 100 mil habitantes, 2º lugar para a cidade de Caracas, na Venezuela (país com 95% da população cristã), com índice de 134,3 homicídios e em 3º lugar a cidade de Acapulco, no México (país com 76% da população cristã), com índice de 112,8 homicídios. A média mundial é de 7,6 homicídios por 100 mil habitantes, acima do índice de 10 homicídios a ONU considera epidemia. O índice geral brasileiro é de 20,4 homicídios, quase o triplo da média mundial, portanto na zona epidêmica. Já, em números absolutos, ou seja, não levando em conta o número anual de homicídios por 100 mil habitantes, o Brasil (país com 86% da população cristã) é o país mais violento do mundo. Enquanto que, considerando o índice acima, o Brasil é o oitavo. Chocante saber que o número anual de assassinatos no Brasil é maior do que o de países em guerra.

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Manifestação contra a violência em Fortaleza, a 7ª cidade mais violenta do mundo.

Diante deste levantamento e destes números, será interessante emitir algumas reflexões. Se o Cristianismo fosse realmente uma religião efetiva, como se explica que as regiões mais violentas do mundo estão nos países majoritariamente cristãos, ou seja, no continente americano, principalmente na America Latina? Se a essência do ensinamento cristão é o amor (já estamos cansados de ouvir as frases: “deus é amor”, “amai ao próximo como a si mesmo”, etc.), portanto o contrário do ódio, da crueldade e da violência, então seria natural que as cidades dos países majoritariamente ateus estivessem no topo do ranking das mais violentas, por exemplo: Estocolmo na Suécia, Amsterdã na Holanda, Copenhagen na Dinamarca, Oslo na Noruega ou Tóquio no Japão. Porém, a realidade atual é o contrário, são as cidades dos países mais cristãos as mais violentas do mundo.

Agora, um fato interessante de se refletir sobre estes dados acima é a questão da relação da alta porcentagem de assassinatos com a alta porcentagem de cristãos nos países das cidades mais violentas. Será natural indagar que, com tão grande número de assassinatos, quantos destes seriam praticados por pessoas que se dizem cristãs. Por exemplo, observe o caso de Honduras, o país com a maior porcentagem de cristãos no mundo (97%), ao mesmo tempo o 2º país mais violento do mundo, com o índice nacional de 67 homicídios anuais por 100 mil habitantes, bem como abriga a cidade mais violenta do mundo (San Pedro Sula). Com tão alto número de cristãos, é impossível que grande parte dos homicídios lá, talvez a maioria, não seja praticada por cristãos. O mesmo é o caso do Brasil (a segunda maior população cristão do mundo, atrás apenas dos EUA), o censo IBGE de 2010 registrou que apenas 8% da população brasileira se declararam sem religião (15,3 milhões), sendo que somente 615 mil declaram-se ateus.  Bem, com tantos assassinatos por aqui, o país mais violento em números absolutos, quantos não são praticados por cristãos? Será ilógico concluir que tão grande número de homicídios seja cometido aqui por apenas 8% da população de pessoas “sem religião”. A dificuldade para ser ter uma ideia precisa do número de homicídios cometidos por cristãos reside no fato de que nunca é apurada a religião do assassino, durante os casos de assassinatos. Habitualmente, costuma-se investigar, e daí informar para a imprensa, a profissão, a idade, o sexo e o estado civil do criminoso. Se, a partir de agora, alguma associação, alguma ONG ou algum instituto de pesquisa passasse a se interessar pela investigação da religião dos homicidas, poderá ser surpreendente descobrir, a partir de números concretos, que muitos são cometidos por cristãos, pois as próprias probabilidades estatísticas apontam para este resultado.

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San Pedro Sula, em Honduras, é a cidade mais violenta do mundo com 187,1 homicídios anuais por 100 mil habitantes.

Agora, se estendermos este raciocínio para todo o continente americano, sobretudo para a America Latina, o reduto da fé cristã por excelência, não será absurdo pensar que o Cristianismo é a religião com o maior número de assassinos no mundo. Diante deste quadro e da reunião de outros crimes (roubo, fraude, estelionato, falsificação, corrupção, sonegação, etc) também tão praticados nos países latinos americanos, a concepção que formamos atualmente é a de que o Cristianismo, em vista do comportamento da maioria dos seus seguidores, com poucas exceções, não é mais uma religião no sentido tradicional, onde a religiosidade é medida pelo caráter, bem como pelo modo de vida santo e moral dos seus adeptos, senão, ao contrário, se transformou em um mero e degenerado “delírio de fé”, sem quase nenhuma contrapartida prática. Em suma, o Cristianismo foi uma religião no passado, agora é, em linhas gerais, apenas uma “delirante afirmação de fé”.

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