Conversa entre o Papa e o Representante da Suécia no Vaticano para Programar uma Visita Apostólica

Octavio da Cunha Botelho

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Suécia, alto desenvolvimento humano e alto índice de ateísmo

            O papa pede ao seu secretário que convide o representante da Suécia no Vaticano para uma reunião. O objetivo é traçar um programa de visita papal a este país. Assim que chega, o secretário anuncia ao papa sobre a chegada do representante sueco. O pontífice ordena que o convidado se encaminhe até à sala de reunião. Após entrar, o líder católico toma imediatamente a palavra. “Fiquei sabendo do alto índice de ateísmo na Suécia, portanto gostaria de fazer uma visita apostólica ao seu país”, disse o papa. “Perfeitamente, sua santidade”, disse o representante sueco, “estou aqui para auxiliá-lo na preparação do programa da sua visita”. Então, o pontífice exclamou com entusiasmo, “gostaria de iniciar com uma visita a uma favela na Suécia, onde abençoarei os moradores”! O representante sueco, escondendo a vergonha que sentia, respondeu humildemente, “desculpe sua santidade, mas na Suécia não existe favela”. “Oh”, respondeu o pontífice, “eu não sabia”. “Bem, então”, disse o papa, “poderei fazer o lançamento do programa ‘bolsa família’ na Suécia, é um grande sucesso no Brasil”. Mais uma vez envergonhado, o representante sueco respondeu “sua santidade, a Suécia não precisa de bolsa família, pois é o país com a melhor distribuição de renda do mundo”. “Hummm”, lamentou o papa, “mas tenho outra ideia, vamos vestir os descamisados, foi um grande sucesso na Argentina na época da Evita Perón”. O representante, já encabulado de tanta vergonha, respondeu: “sua santidade, a Suécia é uma região fria, portanto não existe descamisados, também a população possui ótima renda, portanto alto poder aquisitivo para comprar agasalhos”.

            Então, depois destes desacertos na preparação do programa, o papa ficou pensativo e, depois de algum tempo, achou ter descoberto um evento atrativo, daí disse: “já sei, vou dar o pontapé inicial em uma partida de futebol”. O representante sueco, já não sabendo mais como esconder o constrangimento, esclareceu, mais uma vez, ao papa: “sua santidade, o futebol não é tão atrativo na Suécia, pois a população lá não precisa desta forma de ópio para fugir da realidade, ao contrário, a realidade lá é muito boa, tão formidável que o país é o 7º no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de modo que um papa chutando bola de futebol parecerá ridículo lá”. Daí que o papa teve nova ideia: “se a renda lá é alta, então vou lançar meu livro, para levantar fundos para os pobres da África”. O representante sueco, com toda a paciência do mundo, esclareceu mais uma vez: “sua santidade, fazendo isto, será um fracasso de vendas lá, uma vez que 83% dos suecos são ateus, a Suécia é o país com o mais alto índice de laicidade no mundo”. “Ah”, exclamou o papa, “então o índice lá é mais alto do que eu imaginava”!

            Daí o papa perdeu a paciência e perguntou esbravejando: “afinal, o que então um papa poderá fazer na Suécia”? Muito respeitosamente, o representante sueco respondeu: “prezada santidade, com toda franqueza, um papa terá sim o que fazer na Suécia, mas não será para ensinar e tampouco dar exemplo, senão, ao contrário, poderá aprender com o sucesso do desenvolvimento humano na Suécia, pois, indo até lá, sua santidade poderá se certificar de que:

1º) Nos países com alto índice de desenvolvimento humano, a religião se tornou uma cultura inútil.

2º) Nas nações com alta escolaridade, os religiosos não têm mais o que ensinar, somente o que aprender.

3º) Nas sociedades com distribuição de renda mais igualitária, a religião não tem para quem pregar, pois não existem pobres e semi analfabetos para ouvi-la.

4º) Nos países bem estruturados socialmente, a assistência da religião se tornou inútil, pois esta foi substituída pelos grupos assistenciais, pela Cruz Vermelha, pelo voluntariado, pelas ONG’s, etc.

5º) Enfim, o que as religiões no mundo deveriam fazer é se transformarem em ONG’s, abandonando assim as crenças, as doutrinas e as práticas religiosas, para então seguirem o exemplo, bem sucedido, do método secular de desenvolvimento humano, empregado pelos países de população majoritariamente laica, que hoje ocupam o topo do ranking do desenvolvimento humano (Suécia, Holanda, Noruega, Reino Unido, Japão, Austrália, Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia)”.

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